Os mitos dos orixás são ferramentas poderosas para o leitor entender seus hábitos diários e sua relação com o mundo, com o objetivo de construir uma vida mais significativa, guiada por valores que trazem bem-estar para si mesmo e para aqueles que o cercam.
Café da manhã com os orixás apresenta um mito para cada dia do ano, seguido de uma breve interpretação para ajudar o leitor a refletir. Além disso, há a inclusão de uma palavra-chave, seguida de hashtag, e a citação aos orixás mencionados no mito, como lembrete de qual força guia aquela história. Como um mito pode ter múltiplos significados e interpretações, alguns deles se repetem em mais de um dia do ano, porém trazem interpretações e reflexões outras.
“Em seu livro Mensagem, o poeta português Fernando Pessoa afirma que “o mito é o nada que é tudo”. Mitos, no fim das contas, são narrativas exemplares que explicam ritos, modelam condutas e funcionam como mantenedores de grupos sociais e de seus costumes. O culto aos orixás, nesse sentido, se fundamenta em relatos míticos que formam o corpo literário de Ifá e ancoram as práticas comunitárias dos povos de terreiro, em um complexo religioso, filosófico, terapêutico, gastronômico, musical e literário de alta voltagem.
Bebendo nessa fonte de saber ancestral, o livro Café da manhã com os orixás, de João Tokunbó Carneiro, presentifica os relatos exemplares, ressalta a possibilidade que os mitos apresentam como fontes de reflexão diárias e cotidianas, mostra que o culto aos orixás tem o caráter sofisticado e universal que os grandes sistemas de compreensão do mundo possuem e ressalta o elemento mais profundo das religiões de terreiro: só é ancestral o saber que tem a capacidade de conversar com o tempo presente e interagir com os anseios de vida que mulheres, homens e crianças comuns são capazes de cultivar e alimentar, ao longo do ano, em uma mesa de café da manhã.”
Axé!
Luiz Antonio Simas